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Chapter 49: Agora que a vingança acabou

Capítulo 49 – Agora que a vingança acabou

Do lado de fora da janela, o ar parecia pesado, opressor. A tortura de Darga pelo Chefe da Vila Rizlut continuava. Parecia que eles já nem percebiam mais minha presença — a tortura seguiria mesmo sem mim.

Será que minha vingança finalmente acabou? A raiva e o rancor que carreguei por tanto tempo pareciam ter se dissipado. Sentia uma sensação de realização, de dever cumprido. Mas, ao mesmo tempo, um certo vazio.

Dizem que “vingança não traz nada”, e no fim das contas, é verdade. Mas... eu não me arrependia de nada.

— Matei muita gente — murmurei de repente. Depois de matar tanta gente assim, era inevitável me tornar um criminoso procurado. Fiz isso em nome da vingança... e também para ajudar o crescimento da Marionetista rumo à humanidade. Bem, ela matou muito mais do que eu, na verdade.

Sim, acho que está na hora de ver como a Marionetista está. Talvez ela tenha finalmente se tornado humana. Mas antes disso... tem um lugar que eu quero visitar. Me levantei.

Quando saí, o silêncio era estranho, incômodo. Porém, ao longe, ainda dava pra ouvir gritos. A Marionetista ainda estava causando destruição. O aparente silêncio vinha do fato de os moradores estarem escondidos em casa, tentando não serem encontrados por ela.

Mesmo assim, segui meu caminho até o lugar que tinha em mente.

— É ali...

Diante de mim, havia um pequeno túmulo feito de pedras. Era o túmulo de Namia. Como criminoso condenado, eu não pude ir ao funeral, nem ao enterro. Então me sentei ali e juntei as mãos.

— Droga...

De repente, as lágrimas vieram e não consegui segurá-las. Finalmente, eu estava aceitando a morte da Namia. A vingança tinha sido o que me moveu até agora, e com isso encerrado... eu precisava seguir em frente. Afinal, vingança serve pra acertar as contas com o passado. Ainda assim, a morte da Namia era uma realidade dolorosa. Então me deixa chorar só mais um pouco aqui.

Não sei quanto tempo se passou. Fiquei ali, curtindo a solidão ao lado de Namia.

— É hora de ir até a Marionetista...

Com esse pensamento, me levantei. E então—

Gugoooooooooooooooooooooooooohhhhhhhh!!!!!!

Um rugido profundo e ensurdecedor ecoou, sacudindo meus tímpanos. Me virei na direção do som.

Lá estava... um gigantesco objeto preto em forma de ovo havia aparecido. Era maior que uma torre. Imediatamente percebi que era a Marionetista. O ovo rachou, como se estivesse chocando, e sua casca negra virou um lodo escuro que começou a se espalhar em direção à vila.

Eu sabia — o momento da transformação da Marionetista em humana tinha chegado.

— Marionetista!

Gritei enquanto avançava pelo lodo negro. O sonho dela sempre foi se tornar humana. Se ela conseguiu, então era algo para se comemorar. Por isso, eu precisava vê-la e celebrar esse momento.

Me perguntei se a Marionetista tinha virado homem ou mulher no fim das contas. Não só isso, também queria saber como ela era agora. Era alta ou baixa? Qual a cor do cabelo?

Aliás, se ela virou humana, parece estranho continuar chamando de “Marionetista”. Talvez fosse melhor dar um nome mais... humano.

Enquanto seguia pelo mar de lodo escuro, vi uma figura no centro. Era óbvio que era ela. Estava prestes a chamá-la, quando—

Aaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Um grito agudo, desesperado, cortou o ar e atravessou meus ouvidos.

— O que foi, Marionetista?! — gritei.

Ela pareceu notar minha presença. Se virou e disse:

— Tá... diferente.

— O quê tá diferente?

Eu ia perguntar, mas—

— Diferente, diferente, diferente, diferente, diferente!

Fiquei mudo diante das palavras desesperadas dela.

— O-que eu queria me tornar era uma humana, não isso! Eu não sou... um monstro!

Ao dizer isso, a Marionetista caiu em prantos.

A aparência dela... o lado direito era de uma garota humana. Pele clara, rosto jovem e fofo, cabelo longo — qualquer um diria que era uma menina comum.

Mas o lado esquerdo...

Era monstruoso. A pele era escura, brilhante e viscosa, como se grudada sobre a metade humana. Tentáculos e olhos reptilianos brotavam de vários pontos do corpo. Nas pontas dos tentáculos, havia mandíbulas com dentes de tubarão.

— Me mata...

— Hã...?

— Por favor, me mata!

— Mas... mesmo que você diga isso...

— Mas, mas, não faz sentido viver assim! Então, por favor... me mata!

Mesmo com ela me implorando, com os olhos cheios de lágrimas, eu não consegui fazer isso.

— Não importa a forma que você tenha... eu acho que tá tudo bem.

— Mentira! Não mente assim!

— É a verdade.

— Então... você conseguiria amar alguém como eu?

Ao ouvir isso, congelei.

Mesmo que eu dissesse “Eu posso te amar”, soaria superficial. Eu simplesmente não consegui dizer aquilo.

— Sabia... impossível, no fim das contas.

Ela interpretou meu silêncio como rejeição.

— Bom, é natural, né? Olha pra mim, pareço um monstro.

Vendo a expressão triste no rosto dela, agi por instinto.

Eu tinha que ajudá-la. Foi esse o pensamento que passou pela minha mente. E então, a abracei com força.

— Eu gosto de você.

— Não mente...

— Não é mentira.

— Não seja gentil... Ah... Ahhh... Ughhhhhhhhhhhhhhh!

Depois disso, só continuei abraçando a Marionetista, que chorava. Acho que acabei chorando junto com ela.

Ficamos assim por alguns minutos.

Então, quando achei que ela tinha parado de chorar, ela me empurrou com uma das mãos.

Empurrado, soltei o abraço e dei alguns passos pra trás.

— Obrigada, Mestre.

Ela sorriu. E no momento seguinte...

Uma mandíbula negra gigantesca desceu do céu e a engoliu inteira.

— Hã?

Fiquei parado, sem reação.

O lodo negro que cobria a vila até pouco tempo começou a desaparecer, aos poucos.

Não havia mais sinal da Marionetista.

Ela tinha escolhido tirar a própria vida.

— O que é isso...

Desabei no chão, completamente sem forças.

Uma sensação de vazio profundo tomou conta de mim.

Todo aquele combate... foi pra esse tipo de final?

— Ah... Ahhh...

Sem nem saber o motivo exato, ajoelhei ali e chorei.

Depois de um tempo, me levantei devagar.

Minhas pernas tremiam, mas forcei o corpo a andar.

— Será que ainda está aqui?

Dizendo isso, abri a tela de status.

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Nome: Kiska
Habilidade 1: Save & Reset
Habilidade 2: Provocação Lv.3
Habilidade 3: Espadachim Lv.3
Habilidade 4: Nenhuma
Habilidade 5: Avaliação Lv.3

A habilidade “Mestre de Marionete da Espada Parasitária” tinha desaparecido com a morte da Marionetista.

Mas o que eu queria confirmar era a “Save & Reset”.

Enquanto essa habilidade existisse, eu poderia recomeçar quantas vezes quisesse.

Acreditando nisso, me joguei do penhasco.

Eu sabia que não tinha chegado até aqui por esse tipo de futuro.

Então, se eu quisesse alcançar o futuro que realmente desejava, não me restava alternativa senão recomeçar... quantas vezes fosse necessário.


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