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Chapter 58: Observador

 Capítulo 58 – Observador

—Save & Reset.

Essa é uma habilidade que recebi da Agetha. Usei essa habilidade para refazer o tempo, de novo e de novo. Mas quando me acalmo de repente e penso com clareza, percebo que, na verdade, não entendo essa habilidade direito. Eu só sentia que tinha dominado o “Save & Reset”, mas será que compreendo mesmo como usá-la de verdade? 

Ela acabou de dizer “Reset”? Lembrei do que a Agetha Negra murmurou. Instantaneamente, o “Save & Reset” passou pela minha mente. Sempre achei que “Save & Reset” era uma única habilidade com duas partes, “Save” e “Reset”, e que era graças a essas duas funções que eu conseguia voltar da morte. No entanto, quando a Agetha Negra mencionou o “Reset”, comecei a considerar a possibilidade de que meu entendimento estava profundamente equivocado. Será que “Save” e “Reset” são, na verdade, habilidades separadas, com poderes únicos? E será que ela ativou somente a parte do “Reset”…? Então, qual é exatamente o poder do “Reset”? Tentei descobrir quando a Agetha Negra mencionou essa palavra.

De repente, o mundo foi engolido pela escuridão.

—Oh…?

Minha consciência despertou. Num instante, fiquei confuso com a situação diante de mim. O que se estendia à minha frente era uma escuridão eterna. Não havia chão debaixo dos meus pés, nem céu. Nem mesmo conseguia ver um horizonte.

—O que é isso?

Lembrei da Agetha Negra mencionando “Reset”. O que aconteceu depois disso? Antes que eu percebesse, estava num mundo de absoluto nada.

—Ei, tem alguém aí!?

Tentei gritar, mas minha voz foi engolida pela escuridão. Parecia que eu tinha me perdido em um mundo onde nada existia. No entanto, não podia simplesmente ficar parado. Por enquanto, decidi caminhar e ver se encontrava alguma coisa.

Quantas horas se passaram desde então, vagando por esse vazio? Não importava o quanto eu andasse, o cenário continuava o mesmo. Sem sol, eu não fazia ideia de quanto tempo já tinha se passado desde que cheguei ali.

—Ah, finalmente achei o lugar. Você estava aqui?

—Hã?

De repente, ouvi uma voz. Me virei, e havia “algo” ali. Só conseguia descrever aquilo como “algo”. Isso porque eu não tinha palavras para explicar linguisticamente o que acabara de me dirigir a palavra. Esse “algo” tinha uma forma tão distante de tudo que eu conhecia que simplesmente não dava para descrever. No máximo, dava para dizer que falava como um ser humano, mas não era humano. Também não parecia nenhuma forma de vida, nem de matéria.

—Você está com uma expressão surpresa.

Esse “algo” falou.

—Ah, é que… aconteceu tanta coisa que minha cabeça está a mil.

—De fato, você passou por bastante coisa recentemente. Graças a isso, me diverti bastante.

—Hmm.

Respondi com um som vago, porque não entendi direito o que aquilo queria dizer.

—Então, que lugar é esse? E você… quem é?

—Hmm, boa pergunta.

O “algo” respondeu.

—Aqui é o resquício de um mundo destruído. E quanto a quem sou eu… bem, não consigo pensar em uma palavra boa pra me descrever.

Resquício de um mundo destruído? O que isso quer dizer?

—Então o mundo foi destruído?

—Sim, isso mesmo. Olha ao redor — não tem nada aqui, né? O mundo foi destruído, então o nada continuou.

—Entendi.

De fato, descrever esse lugar como um mundo do nada parecia ser a expressão mais apropriada.

—Você não parece muito chocado, hein? O mundo foi destruído. Normalmente, acho que as pessoas ficariam chocadas ao ouvir algo assim.

—Bom… a história é tão grandiosa que ainda não caiu a ficha.

—Faz sentido, dito assim.

Mesmo assim, era estranho que eu ainda tivesse consciência, apesar de o mundo ter sido destruído.

—Você é… um deus?

Soltei essa pergunta do nada para a entidade à minha frente. Se fosse um deus, faria sentido. Aquilo parecia sobrenatural, quase divino.

—Não. Diferente de um deus, não sou onisciente nem onipotente. Seria presunçoso me chamar de deus. Acho que pode me chamar de um observador.

—Observador?

—É. Como se meu papel fosse observar o mundo.

—Entendi.

Não entendi muita coisa, na verdade. E senti que, mesmo perguntando mais, não ia compreender, então decidi não insistir.

—Então, por que minha consciência ainda está intacta, mesmo com o mundo destruído?

—Isso é porque você existe fora da causalidade. Lembra de algo?

Lembrança? Eu não entendia exatamente o que era essa tal de causalidade, mas talvez tivesse a ver com o fato de eu ter o “Save & Reset”.

—A Agetha é a causa da destruição do mundo?

—Sim, isso mesmo. Ela reescreveu a causalidade.

—Entendi…

Essa conversa com o observador estava cheia de coisas que eu não compreendia, e minha mente estava ficando cada vez mais confusa.

—Agora, deixe-me te perguntar. Você quer salvar o mundo?

O observador disse isso com um tom mais sério.

—Como observador, me dói ver o mundo continuar destruído assim. Por isso, estou pensando em confiar o destino do mundo a você. O que me diz?

—Bem…

—Que tipo de resposta é essa? Você não parece empolgado.

—Ahm, eu gostaria de salvar o mundo, se puder… mas será que consigo fazer algo assim? Salvar o mundo é uma tarefa monumental, e, sinceramente, não acho que sou capaz.

—Isso depende de você. Mas hmm… é complicado. Tá bom, talvez você devesse mudar de perspectiva.

Como se tivesse tido uma grande ideia, o observador falou:

—Você quer salvar Agetha Tsubaki?

—Se for isso… então sim.

De repente, me lembrei das lágrimas que a Agetha Negra derramou. Queria saber por que ela estava chorando, e meus sentimentos pela Agetha não-negra também eram positivos. Eu nem sequer entendia por que existiam duas Agethas, pra começo de conversa.

—Essa é uma boa resposta. Então, vou confiar o destino do mundo a você.

Quando o observador disse isso, começou algum tipo de trabalho. Eu não fazia ideia do que era.

—Há dois pontos importantes que você precisa lembrar. Seu “Save & Reset” ainda está ativo, mas cuidado com a forma como vai usá-lo. O outro ponto é que, se for determinado que o mundo foi salvo, eu vou forçar seu retorno à linha do tempo original.

—…Entendido.

Assenti com a cabeça, mas ainda não conseguia compreender totalmente a realidade das palavras do observador.

—Muito bem, volte para um tempo específico — exatamente cem anos antes da destruição do mundo.

O observador não tinha mãos, mas se tivesse, acho que teria acenado. Parecia que eu estava prestes a ir embora daquele lugar.

—Oh…

Quando percebi, estava de pé no chão, banhado pela luz do sol. Pelo visto, precisava começar descobrindo onde exatamente eu estava.

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